Gaian Institute Brasil


 

A QUEM POSSA INTERESSAR

 

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Escrito por fabio oliveira às 20h30
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IRONIA A ECO-IDEOLOGIA

autor: Fábio Oliveira

 

Aqueles que consideram, ironicamente, a Eco-ideologia algo radical cometem grandes equívocos, com certeza nas idéias estamos sentados de costas um para o outro. Vou fazer alguns comentários sobre o tema tão polêmico.

 

Primeiramente gostaria de dizer que não vejo problemas em se trabalhar por causas elevadas (refiro-me as ONG’s sérias), tais como: a qualidade da vida na terra, preservação do meio ambiente e conscientização do caos que nos metemos, devido a um modelo de progresso cartesiano, reducionista, mecanicista, linear e equivocado, que tem sido imposto a humanidade pelo egoísmo de alguns.

 

São inumeráveis as ONG’s que realizam trabalho sério em diversas partes do mundo, mas também sei que existem desvios de conduta em alguns casos. Não defenderei jamais os espertalhões que entram nessa arena para se aproveitar da situação. Aliás, espertalhões existem em todas as áreas das atividades humanas.

 

No Brasil, não apenas algumas ONG’s vivem do dinheiro público, mas boa parte do empresariado brasileiro adora as tetas do governo. Quem mais se beneficia do governo brasileiro são os grandes empresários, ou seja, a nossa pseudo-elite.

 

Acredito que aqueles que combatem a eco-ideologia não saibam o que é progresso, na verdadeira concepção da palavra, ou talvez tenham as suas idéias condicionadas pelo sistema que agoniza.

 

Provavelmente, pensem que quem entende de ecologia são os responsáveis pela camada do ozônio, pela destruição da nossa mata atlântica, pelo aquecimento global, pelo desmatamento da nossa Amazônia, pelos poluidores dos lagos, rios e mares, pela destruição de nossas serras, dunas, falésias, mangues, e também pela criação de milhões de miseráveis espalhados por esse imenso Brasil.

 

O modelo adotado é destruidor, e em benefício de uns poucos (pseudo-benefício). O pior é que já destruímos tanto, e não solucionamos os problemas fundamentais da grande maioria do sofrido povo brasileiro.

 

A geração de empregos se faz com distribuição de renda, educação e cultura, jamais com depredação do meio ambiente. O Brasil é um dos campeões em concentração de renda no mundo, temos um dos piores sistemas educacionais do planeta, e a cultura que se propaga é a da boquinha da garrafa.

 

Podemos sim, gerar empregos com atividades mais dignas. Do jeito que está não é possível continuar, pois até a droga (cocaína, craque e etc.) está gerando emprego no Brasil. Hoje, a comercialização das drogas é um dos grandes negócios do país, embora caminhemos para uma situação aterrorizante, isto é, se as coisas não mudarem.

 

A depredação do meio ambiente também é uma droga, e deve ser combatida com determinação e a força da Lei, pois envolve a redução drástica da qualidade de vida, da consciência, da espiritualidade, de grandes valores éticos e morais.

 

Alguém escreveu:

 

“O impacto é uma decorrência lógica do processo civilizatório, já que não é possível avançar, criando empregos, distribuindo rendas, erradicando pobreza, sem o mínimo de dano. Resta saber em que medida e limites esse pode ocorrer. A agenda positiva do Brasil passa por esse questionamento”. 

 

O que está errado é o modelo de desenvolvimento que adotamos, os paradigmas de progresso, e a visão equivocada daqueles que não medem esforços que ganhar algum dinheirinho a mais a qualquer custo.

 

Caso tenha que fazer a opção entre a ‘visão romântica a todo custo’ que alguns, ironicamente, apregoam e a ‘destruição que se verifica a todo custo’, fico com a primeira por ser mais inteligente, mais bela, sensata e nos engrandece. Embora acredite que chegaremos a uma solução satisfatória, com grandes traumas talvez, pois não temos outra saída!

 

Com certeza, muitos dos irônicos não devem conhecer o pensamento de grandes cientistas, tais como James Lovelock, Edgar Morin, Humberto Muturana, Felix Guattari, Francisco Varela e outros, caso contrário, não diriam que a eco-ideologia é uma deformação da ciência. O que é deformação? É a ação que destrói o que é belo por um conceito errôneo de desenvolvimento, isso sim, é deformação, ignorância e ilusão.

 

Não generalizo e não considero que todos os empresários sejam criminosos, mas aqueles que destroem o meio ambiente são ignorantes, pois não têm consciência do que estão fazendo. Só pensam nos lucros, não pensam na ‘VIDA EM SUA PLENITUDE ’, perderam a referência de ideais elevados.

 

Precisamos de um novo modelo de desenvolvimento que não destrua o que é realmente belo, e que haja mais divisão de riquezas. De que adiantou tanta destruição se a grande maioria da população vive na miséria absoluta. Que modelo é esse que tem a sua história fundamentada na destruição, no desmatamento, na poluição em nome do progresso, e não apresenta resultados satisfatórios.

 

 

Continua...



Escrito por fabio oliveira às 10h34
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Continuação

  

Alguém escreveu novamente:

 

“Porém, não pode ocorrer a deformação operacional do princípio da precaução, porque, dessa forma, a sociedade ficaria condenada à paralisia e os empresários, em grande medida, transformados em "criminosos" ou "infratores".

 

A sociedade brasileira está paralítica desde os tempos da colonização. Não é por acaso que a violência se instalou em todo o país, não é por acaso que os ricos estão cada vez mais ricos, e a miséria aumenta de forma assustadora. Precisamos de empresários sérios e que produzam para a nação, mas também precisamos de um povo educado, saudável e esclarecido, e não marginalizado. Não foi nada disso que construímos ao longo da história do nosso país.

 

As Leis brasileiras não são tão ruins, e existem até em demasia. Porém , o cumprimento é lastimável e a impunidade prevalece. Em geral, não temos punições para os criminosos de colarinho branco, embora a Lei determine. Punição só para os criminosos fabricados e fragilizados pelo sistema que escraviza.

 

Os estudos de Impacto Ambiental nem sempre são analisados dentro das Normas Técnicas e da Lei, mas são aprovados através do tráfico de influência e outras negociatas imorais, tão comuns nesse país desacreditado. Quem não conhece o caso do Hotel em São Paulo , em frente a pista de decolagem do Aeroporto de Congonhas? Quem aprovou tamanha insanidade? Por que só agora resolveram comentar tal aberração?

 

Existem milhares de projetos nesse imenso país, que são aprovados ilicitamente, contrariando as mais rudimentares determinações das Normas Técnicas. Entretanto, são respaldados pelas contradições da interpretação das Leis, tão bem aceitas no Brasil.

 

A verdade é que o modelo fracassou e está perdido nas suas próprias contradições!

 



Escrito por fabio oliveira às 10h30
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O Gaian Institute (http://www.gaianinstitute.org) é uma organização sem fins lucrativos, que promove através da educação e pesquisa, sociedades mais pacíficas, justas, participativas e ecologicamente conscientes.

 

A missão do Gaian Institute é trabalhar a favor de uma Sociedade, na qual os seres humanos se identifiquem não somente com a comunidade local, mas também com a comunidade global do Planeta.

 

O Gaian Institute explora formas alternativas de desenvolvimento sócio-econômico através da pesquisa integrada (interdisciplinar), da educação comunitária e formas de sistemas adaptativos de governos.

 

As Universidades, Instituições brasileiras, ONG’s, cientistas, pesquisadores, professores, estudantes e demais interessados no Gaian Institute e no tema em referência, poderão contactar com:

 

EUA, e-mail:  contact@gaianinstitute.org

 

Brasil,  e-mail: gaian_institute@yahoo.com.br

 

Portugal,  e-mail: gaian_portugal@yahoo.com.br



Escrito por fabio oliveira às 10h07
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Estudo derruba ligação entre raios solares e aquecimento global

 

RICHARD BLACK

da BBC News

Cientistas britânicos produziram novas e convincentes provas de que a mudança climática atual não é causada por mudanças na atividade solar.

A pesquisa contradiz a teoria favorita dos "céticos" do aquecimento global, segundo a qual raios cósmicos vindos para a Terra - e não as emissões de carbono- determinam a quantidade de nuvens no céu e a temperatura no planeta.

A idéia é que variações na atividade solar afetam a intensidade dos raios cósmicos, mas cientistas da Universidade de Lancaster descobriram que não houve nenhuma relação significativa entre as duas variáveis nos últimos 20 anos.

Apresentando suas descobertas na revista científica "Environmental Research Letters", a equipe britânica explicou que foram usadas três diferentes maneiras para procurar uma correlação, e praticamente nenhuma foi encontrada.

Esta é a mais recente prova a colocar sob intensa pressão a teoria dos raios cósmicos, desenvolvida pelo cientista dinamarquês Henrik Svensmark, do Centro Espacial Nacional da Dinamarca.

As idéias defendidas por Svensmark formaram o principal argumento do documentário "The Great Global Warming Swindle" (A Grande Fraude do Aquecimento Global, em tradução livre), exibido pela televisão britânica, que intensificou os debates sobre as causas das mudanças climáticas atuais.

Caminho errado

"Começamos este jogo por causa do trabalho de Svensmark", disse Terry Sloan, da Universidade de Lancaster.

"Se ele está certo, então estamos no caminho errado tomando todas essas medidas caras para cortar as emissões de carbono; se ele está certo, podemos continuar a emitir carbono normalmente."

Os raios cósmicos são refletidos da superfície da Terra pelo campo magnético do planeta e pelo vento solar -correntes de partículas eletricamente carregadas vindas do Sol.

A hipótese de Svensmark é que, quando o vento solar está fraco, mais raios cósmicos penetram na atmosfera, o que aumenta a formação de nuvens e esfria o planeta. Quando os raios solares estão mais fortes, a temperatura na Terra sobe.

A equipe de Terry Sloan estudou essa relação analisando partes do planeta e períodos de tempo em que se registraram a chegada forte ou fraca de raios cósmicos. Eles então verificaram se isso afetou a formação de nuvens nesses locais e nesses momentos e não encontraram nada.

No curso de um dos ciclos naturais de 11 anos do Sol, houve uma frágil correlação entre a intensidade dos raios cósmicos e a quantidade de nuvens no céu. Mesmo assim, a variação dos raios cósmicos explicaria apenas um quarto das mudanças nas nuvens.

No ciclo seguinte, nenhuma relação foi encontrada.

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês), em sua avaliação sobre a questão feita no ano passado, concluiu que desde que as temperaturas começaram a aumentar rapidamente nos anos 70, os gases de efeito estufa produzidos pelo homem tiveram um peso 13 vezes maior no aquecimento global que a variação da atividade solar.

"Tentamos corroborar a hipótese de Svensmark, mas não conseguimos. Até onde podemos constatar, ele não tem nenhuma razão para desafiar o IPCC - o IPCC está certo. Então, é melhor continuarmos a cortar as emissões de carbono", disse Terry Sloan.



Escrito por fabio oliveira às 09h59
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27/03/2008 - 18h13

Brasil vive efeito destrutivo dos biocombustíveis, diz "Time"

 

 

 

BRUNO GARCEZ

da BBC Brasil, em Washington

A mais recente edição da revista "Time" afirma, em reportagem que ilustra a sua capa, que o Brasil oferece um exemplo "vívido da dinâmica destrutiva dos biocombustíveis".

A reportagem, intitulada "O Mito da Energia Limpa", afirma que políticos e grandes empresas estimulam bicombustíveis como alternativas ao petróleo, mas isso está provocando uma alta do preço de alimentos, intensificando o aquecimento global e fazendo o contribuinte pagar a conta.

A reportagem afirma que o desmatamento na Amazônia está sendo acelerado por uma "fonte improvável: os biocombustíveis".

De acordo com o texto, "uma explosão da demanda por combustíveis agrícolas tem provocado uma alta recorde do preço mundial de colheitas, o que tem causado uma expansão dramática da agricultura brasileira, que está invadindo a Amazônia em um ritmo alarmante."

A reportagem diz que apenas uma pequena fração da floresta vem sendo usada para o plantio da cana-de-açúcar que gera o etanol brasileiro, mas acrescenta que o desmatamento resulta de uma "reação em cadeia tão vasta que chega a ser sutil."

Efeito em cadeia

Esse efeito em cadeia, de acordo com a "Time", tem início nos Estados Unidos, com o cultivo do milho usado para a fabricação da versão americana do etanol.

Segundo a revista, os fazendeiros americanos estão destinando um quinto do milho que cultivam para a produção de etanol, o que obriga os produtores de soja dos Estados Unidos a trocarem sua colheita tradicional pela do milho.

Essa transição vem fazendo com que fazendeiros de soja no Brasil expandam seus terrenos de cultivo, tomando áreas antes destinadas a pastos de gado. E obrigando produtores de gado a levarem suas fazendas para a Amazônia.

O artigo afirma que "é injusto pedir a países em desenvolvimento que deixem de desenvolver regiões sem dar qualquer compensação."

Mas acrescenta que, mesmo com incentivos financeiros suficientes para manter a Amazônia intacta, os elevados preços de commodities estimulariam o desmatamento em outras partes do mundo.



Escrito por fabio oliveira às 20h46
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26/03/2008 - 13h11

Bloco de 400 km2 se desprende de plataforma de gelo na Antártida; assista

 

 

 

HELEN BRIGGS

Repórter da BBC News para Assuntos Científicos

Um bloco de gelo de pouco mais de 400 km2 começou a se desprender da plataforma de Wilkins, na Península Antártida, e a derreter no mar, no que os cientistas dizem ser mais uma evidência do aquecimento global. Veja vídeo.

A área é equivalente a quase um quarto da cidade de São Paulo (1.523 km2, segundo o IBGE). Imagens por satélite sugerem que uma parte da plataforma de Wilkins, na península que se projeta em direção à Patagônia, iniciou um processo de desintegração e logo poderá desaparecer.

Plataformas são extensões flutuantes do lençol de gelo (com até 4 km de espessura) que cobre a base rochosa da Antártida, segundo o site da British Antarctic Survey (BAS), que monitora a região.

Wilkins, que cobria inicialmente uma área de 16 mil km2 (segundo o site da BAS), permaneceu estável pela maior parte do século 20, mas começou a se retrair na década de 90. Houve um desprendimento de blocos de um total de 1.000 km2 em 1998, ao longo de alguns meses.

Outras plataformas na mesma área do continente já se perderam nos últimos 30 anos, disse a BAS.
David Vaughan, da BAS, disse: "Eu não esperava ver as coisas acontecerem tão depressa assim. A plataforma está presa por um fio --nós vamos ver nos próximos dias ou semanas que destino terá."

Ao observarem fotos de satélite, os pesquisadores da BAS enviaram um avião de reconhecimento para registrar imagens mais próximas do que estava ocorrendo.

A desintegração foi sinalizada com a formação de um iceberg de 41 km por 2,5 km verificada em 28 de fevereiro. Boa parte da plataforma Wilkins agora está sendo protegida apenas por uma faixa de gelo entre duas ilhas. Pesquisadores têm o receio de que a ausência da plataforma possa expor geleiras no interior do continente e que são formadas por água fresca. Seu derretimento poderia afetar o nível dos oceanos.

Rapidez

Vaughan fez uma previsão em 1993 de que a porção norte da plataforma de Wilkins desapareceria dentro de 30 anos se o aquecimento da Terra continuasse, mas ele disse que isto está acontecendo mais rápido do que esperava.

"Esta não é uma questão de elevação do nível do mar, contudo, é mais uma indicação da mudança do clima na Península Antártida e de como isto está afetando o meio ambiente", disse ele.

Segundo os cientistas, a Península Antártida tem passado por um aquecimento sem precedentes nos últimos 50 anos, de quase 3ºC.

Discórdia

Outros pesquisadores afirmam que a plataforma de Wilkins pode resistir por mais tempo, pois o verão na Antártida --período de derretimento de gelo-- está chegando ao fim.

Ted Scambos, do Centro Nacional de Informações sobre Neve e Gelo da Universidade de Colorado, nos Estados Unidos, disse: "Este espetáculo incomum acabou por esta estação. Mas em janeiro próximo nós vamos ver se a Wilkins continuará a se desfazer."



Escrito por fabio oliveira às 20h40
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Três espécies de macacos que vivem no Brasil saíram da lista de ameaçados de extinção, como o macaco-prego-do-peito-amarelo

 

Macacos do Brasil saem de lista de ameaçados

da Folha de S.Paulo

Uma notícia agridoce para os brasileiros: as três espécies de primatas que habitam o país e estavam listadas entre as mais ameaçadas do mundo saíram do ranking, cuja nova versão foi publicada ontem por um grupo de ONGs ambientais. O alívio nacional, no entanto, não suaviza a tragédia global: 29% das 394 espécies conhecidas dos parentes mais próximos do homem estão sob risco de sumir.

Um relatório sobre os 25 primatas (macacos e lêmures) mais ameaçados mostra que hoje existem na natureza apenas algumas dezenas de indivíduos de algumas espécies de gibão e langur. E uma espécie de cólobo-vermelho da África pode estar já extinta.

"Você pode colocar todos os membros sobreviventes dessas 25 espécies em um só estádio de futebol. Isso mostra o quão poucos restam hoje", afirmou o primatólogo Russel Mittermeier, presidente da Conservação Internacional, uma das ONGs que assinam o relatório.

As principais ameaças aos macacos são a destruição das florestas tropicais, especialmente na Ásia --em parte para a produção de biodiesel, como no caso na Indonésia e da Malásia--, o comércio ilegal de animais silvestres e a carne de caça, especialmente na África.

O cólobo-de-waldron, que habita a Costa do Marfim e Gana, pode estar extinto. E o lóris-esbelto, do Sri Lanka, foi visto só quatro vezes desde 1937.

Segundo a Conservação Internacional, esforços feitos nos últimos anos no Brasil têm tido sucesso em proteger as três espécies nacionais que constavam na última edição da lista, feita em 2004: o mico-leão-de-cara-preta (Leontopithecus caissara), o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) e o macaco-prego-do-peito-amarelo (Cebus xanthosternus). Os três são da mata atlântica.



Escrito por fabio oliveira às 13h27
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IPCC FAZ ALERTA A BRASIL, CHINA E ÍNDIA

Presidente do IPCC falou sobre a Amazônia, sugerindo a criação de um tratado internacional para garantir a cobertura florestal no planeta e alertou sobre os riscos que a degradação ambiental pode trazer para a paz.

O presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, pelas iniciais em inglês), Rajendra Pachauri, pediu que Brasil, China e Índia não repitam os erros dos países ricos no desenvolvimento de suas economias nos próximos anos, mas afirmou que ainda não é o momento de estabelecer tetos de emissões de gás carbônico nos países emergentes. Numa entrevista por teleconferência, Pachauri ainda falou sobre a Amazônia, sugeriu a criação de um tratado internacional para garantir a cobertura florestal no planeta e alertou sobre os riscos que a degradação ambiental pode trazer para a paz.

"As responsabilidades devem ser diferentes para cada país. Ainda há muitas pessoas nesses países emergentes que nem têm acesso à energia. Temos de cuidar para que essas necessidades sejam supridas também", afirmou Pachauri, respondendo a uma pergunta do Estado.

Questionado sobre as políticas do governo brasileiro na Amazônia, Pachauri evitou fazer críticas diretas. "Não vou comentar o que o governo brasileiro deve fazer, mas florestas como a Amazônia são as maiores fontes naturais para a captação de carbono. No futuro, devemos ter políticas claras e mesmo um acordo internacional para garantir que a cobertura florestal aumente no mundo e não apenas que o desmatamento seja freado", afirmou.

Sobre a questão do etanol, Pachauri disse que os governos precisam analisar com cuidado os efeitos da produção antes de embarcar no projeto. "Devemos analisar com cuidado os efeitos dos biocombustíveis e decidir quais são as melhores opções", disse. Pachauri reconheceu que o etanol pode ter efeitos positivos para o clima, mas alertou é preciso garantir que não haja um conflito com a produção de alimentos.

As declarações de Pachauri sobre o Brasil foram contestadas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. "Da Índia é difícil receber recomendações, inclusive da Europa. Lembrem-se de que eles destruíram tudo", disse Jobim. "Vamos cuidar da Amazônia porque ela é uma questão nossa. Os brasileiros sabem cuidar do que é seu", declarou Jobim, reconheceu, entretanto, que a Amazônia tem impacto sobre o clima de todo o planeta (ler mais na pág. A10).

O debate sobre a responsabilidade dos governos está no centro da disputa diplomática em torno de um novo tratado ambiental. O Brasil e outros emergentes se recusam a aceitar obrigações de corte de emissões, alegando que, historicamente, os responsáveis são os países ricos. Para Alemanha, EUA e Japão, sem um teto nas emissões dos emergentes, o problema jamais será solucionado.Pachauri não propôs um teto já, mas disse que isso não significa que os emergentes não devam ter novas responsabilidades. "Os países emergentes não podem repetir o padrão de desenvolvimento dos países ricos nas últimas décadas", ressaltou.

Na avaliação do indiano, está na hora de a comunidade internacional pensar num modelo de sociedade com menor emissão de gás carbônico. "Uma das idéias que defendemos é uma taxa sobre o carbono. Se isso for instaurado, as empresas verão o benefício de buscar tecnologias mais limpas e mudar seus padrões. Os consumidores também farão essa opção", disse. Para Pachauri, a tendência é que as condições climáticas e ambientais afetem cada vez mais a estabilidade no mundo e, portanto, se tornem uma ameaça à paz internacional. "Vivemos num mundo muito desigual e injusto. Se além disso temos agora o impacto das mudanças climáticas, os efeitos serão sentidos na própria capacidade de certas populações se manterem vivas."

Pachauri disse que o Nobel recebido pela entidade deve ir para todos os 600 cientistas que participaram dos estudos sobre o impacto do clima no mundo. "O prêmio nos dá agora mais responsabilidades para que façamos mais e para que a ciência continue dando explicações", disse.

Sobre a premiação de Al Gore, Pachauri afirmou que o americano teve um papel crucial em divulgar a mensagem sobre o clima ao público. "Seu compromisso é o de fazer com que o mundo tenha conhecimento do que está ocorrendo. Para nós, é um privilégio dividir o prêmio com ele", afirmou o indiano.

Pachauri afirmou ainda que Gore ligou para ele ontem para comemorar o prêmio e sugeriu uma reunião entre os dois para planejar como poderão trabalhar juntos.

Agência Estado

 



Escrito por fabio oliveira às 10h16
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AS TRÊS ECOLOGIAS[1]

Félix Guattari 

 

Existe uma ecologia das idéias danosas, assim

como existe uma ecologia das ervas daninhas.

 

Gregory Bateson

 

O planeta Terra vive um período de intensas transformações técnico científicas, em contrapartida das quais engendram-se fenômenos de desequilíbrios ecológicos que, se não forem remediados, no limite, ameaçam a implantação da vida em sua superfície. Paralelamente a tais perturbações, os modos de vida humanos individuais e coletivos evoluem no sentido de uma progressiva deterioração. As redes de parentesco tendem a se reduzir ao mínimo, a vida doméstica vem sendo gangrenada pelo consumo da mídia, a vida conjugal e familiar se encontra freqüentemente “ossificada” por uma espécie de padronização dos comportamentos, as relações de vizinhança estão geralmente reduzidas a sua mais pobre expressão ...

 

É na relação da subjetividade com sua exterioridade – seja ela social, animal, vegetal, cósmica - que se encontra assim comprometida numa espécie de movimento geral de implosão e infantilização regressiva. A alteridade tende a perder toda a aspereza. O turismo, por exemplo, se resume quase sempre a uma viagem sem sair do lugar, no seio das mesmas redundâncias de imagens e de comportamento.

 

As formações políticas e as instâncias executivas parecem totalmente incapazes de apreender essa problemática no conjunto de suas implicações. Apesar de estarem começando a tomar uma consciência parcial dos perigos mais evidentes que ameaçam o meio-ambiente natural de nossas sociedades, elas geralmente se contentam em abordar o campo dos danos industriais e, ainda assim, unicamente numa perspectiva tecnocrática, ao passo que só uma articulação ético-política – a que chamo ecosofia – entre os três registros ecológicos (o do meio-ambiente, o das relações sociais, e o da subjetividade humana) é que poderia esclarecer convenientemente tais questões.

 

O que está em questão é a maneira de viver daqui em diante sobre esse planeta, no contexto da aceleração das mutações técnico-científicas e do considerável crescimento demográfico. Em função do contínuo desenvolvimento do trabalho maquínico redobrado pela revolução informática, as forças produtivas vão tornar disponível uma quantidade cada vez maior do tempo de atividade humana potencial[2]. Mas com que finalidade? A do desemprego, da marginalidade opressiva, da solidão, da ociosidade, da angustia, da neurose, ou a da cultura, da criação, da pesquisa, da re-invenção do meio-ambiente, do enriquecimento dos modos de vidas e de  sensibilidade? (…)

 

Não haverá verdadeira resposta à crise ecológica a não ser em escala planetária e com a condição de que se opere uma autêntica revolução política, social e cultural, reorientando os objetivos da produção de bens materiais e imateriais. Esta revolução deverá concernir, portanto, não só às relações de forças visíveis em grande escala mas também aos domínios moleculares de sensibilidade, de inteligência e de desejo. Uma finalidade do trabalho social regulado de maneira unívoca, por uma economia de lucro e por relações de poder só pode, no momento, levar a dramáticos impasses – o que fica manifesto no absurdo das tutelas econômicas que pesam sobre o terceiro mundo e conduzem algumas de suas regiões a uma pauperização absoluta e irreversível; fica igualmente evidente em países como a França, onde proliferação de centrais nucleares faz pesar o risco das possíveis conseqüências de acidentes do tipo Chernobyl sobre uma grande parte da Europa. Sem falar do caráter quase delirante da estocagem de milhares de ogivas nucleares que, a menor falha técnica ou humana, poderiam mecanicamente conduzir a um extermínio coletivo.  Através de cada um desses exemplos, encontra-se o mesmo questionamento dos modos dominantes de valorização das atividades humanas, a saber: 

 

1. O do império de um mercado mundial que lamina os sistemas particulares de valor, que coloca no mesmo plano de equivalência os bens materiais, os bens culturais, as áreas naturais etc;

 

O que coloca no conjunto das relações sociais e das relações internacionais sob a direção das máquinas policiais e militares.

 

Os Estados, entre essas duas pinças, vêem seu tradicional papel de mediação reduzir-se cada vez mais e se colocam, na maioria das vezes, ao serviço conjugado das instâncias do mercado mundial e dos complexos militar-industriais. [...] os países ditos socialista, por sua vez, também introjetaram os sistemas de valor “unidimensionalizantes” do Ocidente. O antigo igualitarismo de fachada do mundo comunista dá lugar, assim, ao serialismo de mídia (mesmo ideal de status, mesmas modas, mesmo rock, etc). 

 

No que concerne ao eixo Norte-Sul, dificilmente pode-se imaginar que a situação melhore de maneira considerável. Certamente é concebível que a progressão das técnicas agro-alimentares acabem por permitir a modificação dos dados teóricos do drama da fome do mundo. Mas na prática, enquanto isso, seria totalmente ilusório pensar que a ajuda internacional, da maneira como é hoje concedida e dispensada resolva duradouramente qualquer problema que seja! A instauração em longo prazo de zonas de miséria, fome e morte parece daqui em diante fazer parte integrante dos monstruosos sistemas de “estimulação” do Capitalismo Mundial Integrado. Em todo caso, é sobre tal instauração que repousa a implantação das Novas Potências Industriais, centros de hiperexploração tais como Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul, etc.

 

No seio dos países desenvolvidos reencontramos esse mesmo princípio de tensão social e de estimulação pelo desespero, com a instauração de regiões crônicas de desemprego e da marginalização de uma parcela cada vez maior de populações de jovens, de pessoas idosas, de trabalhadores “assalariados”, desvalorizados, etc. Assim, para onde quer que nos voltemos reencontramos esse mesmo paradoxo lancinante: de um lado, o desenvolvimento contínuo de novos meios técnico científicos potencialmente capazes de resolver as problemáticas ecológicas dominantes e de determinar o reequilíbrio das atividades socialmente úteis sobre a superfície do planeta e, de outro lado, a incapacidade das forças sociais organizadas e das formações subjetivas constituídas de se apropriar desses meios para torná-los operativos.

 

Continua...

 

 



Escrito por fabio oliveira às 10h56
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Continuação... 

 

No entanto podemos nos perguntar se essa fase paroxística de laminagem das subjetividades, dos bens e do meio ambiente não está sendo levada a entrar num período de declínio. Por toda parte surgem reivindicações de singularidades (…) As oposições dualistas tradicionais que guiaram o pensamento social e as cartográficas geopolíticas chegaram ao fim. Os conflitos permanecem mas engajam sistemas multipolares incompatíveis com adesões a bandeiras ideológicas maniqueístas.

 

Um outro antagonismo global transversal das lutas de classe continua a ser o das relações homem-mulher. Em escala global, a condição feminina está longe de ter melhorado. A exploração do trabalho feminino, correlativa a do trabalho das crianças, nada tem a invejar dos piores períodos do século XIX! E no entanto, a condição subjetiva ascendente não parou de trabalhar a condição feminina durante essas duas últimas décadas. Ainda que a independência sexual das mulheres, relacionada com a disponibilidade de métodos de contracepção e aborto, tenha crescido de forma bastante irregular, ainda de que o crescimento dos integrismos religiosos não cesse de gerar uma minoração de seu estado, alguns indícios levam a pensar em transformações de longa duração (…)

 

A juventude, embora esmagada nas relações econômicas dominantes e lhe conferem um lugar cada vez mais precário, e mentalmente manipulada pela produção de subjetividade coletiva das mídias, nem por isso deixa de desenvolver suas próprias instâncias de singularização com relação à subjetividade normalizada. A esse respeito, o caráter transnacional da cultura rock é absolutamente significativo: ela desempenha o papel de uma espécie de culto iniciático que confere uma pseudo-identidade cultural a massas consideráveis de jovens, permitindo-lhes constituir um mínimo de territórios existências.

 

 

É nesse contexto de ruptura, de descentramento, de multiplicação dos antagonismos e de processo de singularização que surgem as novas problemáticas ecológicas.

 

(…) Se não se trata mais – como nos períodos anteriores de luta de classe ou de defesa da “pátria do socialismo”  - de fazer funcionar uma ideologia de maneira unívoca, é concebível em compensação que a nova referência ecosófica indique linhas de recomposição das práxis humanas no mais variados domínios. Em todas as escalas individuais e coletivas, que concerne tanto à vida cotidiana quanto à reinvenção da democracia – no registro do urbanismo. Da criação artística, do esporte etc – trata-se, a cada vez, de se debruçar sobre o que poderiam ser os dispositivos de produção da subjetividade, indo no sentido de uma re-singularização individual e/ou coletiva, ao invés de ir no sentido de uma usinagem pela mídia, sinônimo de deslocação e de desespero. Perspectiva que não exclui totalmente a definição de objetivos unificadores tais como a luta contra a fome no mundo, o fim do desflorestamento ou da proliferação cega das indústrias nucleares. Só que não mais tratar-se-iam de palavras de ordem esterotipadas, reducionistas, expropriadoras de outras problemáticas mais singulares resultando na promoção de líderes carismáticos.

 

Uma mesma perspectiva ético-política atravessa as questões do racismo, do falocentrismo, dos desastres legados por um urbanismo que se queria moderno, de uma criação artística libertada do sistema de mercado de uma pedagogia capaz de incentivar seus mediadores sociais etc. Tal problemática, no fim das contas, é a da produção de existência humana em novos contextos históricos.

 

A ecosofia social consistirá, portanto, em desenvolver práticas específicas que tendam a modificar e a reinventar maneiras de ser no seio do casal, da família, do contexto urbano, do trabalho etc. Certamente seria inconcebível pretender retornar a fórmulas anteriores, correspondentes a períodos nos quais e, ao mesmo tempo, a densidade demográfica era mais fraca e as densidades das relações sociais mais forte que hoje. A questão será literalmente reconstruir o conjunto das modalidades do ser-em-grupo. E não somente pelas interações comunicacionais mas também por mutações existenciais que dizem respeito à essência das subjetividades. Nesse domínio não nos ateríamos a recomendações gerais mas faríamos funcionar práticas efetivas de experimentação tanto nos níveis micro-sociais quanto em escalas institucionais maiores.

 

A ecosofia mental, por sua vez, será levada reinventar a relação do sujeito com o corpo, com o fantasma, como o tempo que passa, com os ‘mistérios’ da vida e da morte. Ela será levada procurar antídotos para a uniformização midiática e telemática, o conformismo das modas, as manipulações da opinião pela publicidade, pelas sondagens etc. Sua maneira de operar aproximar-se-á mais daquela do artista do que a dos profissionais “psi”, sempre assombrados por um ideal caduco de cientificidade.

 

Nada nesses domínios está sendo tratado em nome da história, em nome de determinismos infra-estruturais! A possibilidade de uma implosão bárbara não está de jeito nenhum excluída. E se não houver tal retomada ecosófica (seja qual for o nome que se lhes dê), se não houver uma rearticulação dos três registros fundamentais da ecologia, podemos infelizmente pressagiar a escalada de todos os perigos: os do racismo, do fanatismo religioso, dos cismas nacionalitários caindo em fechamentos reacionários, os da exploração do trabalho das crianças, da opressão das mulheres ...”

 

“Um dos problemas-chave de análise que a ecologia social e a ecologia mental deveriam encarar é a introjeção do poder repressivo por parte dos oprimidos (…) A ecologia social deverá trabalhar na reconstrução das relações humanas em todos os níveis do socius. Ela jamais deverá perder de vista que o poder capitalista se deslocou se desterritorializou, ao mesmo tempo em extensão – ampliando seu domínio sobre o conjunto da vida social, econômica e cultural do planeta – e em “intenção” -  infiltrando-se no seio dos mais inconscientes estratos subjetivos. Assim sendo, não é possível pretender se opor a ele apenas de fora, através de práticas sindicais e políticas tradicionais. Tornou-se igualmente imperativo encarar seus efeitos no domínio da ecologia mental, no seio da vida cotidiana individual, doméstica, conjugal, de vizinhança, de criação e de ética pessoal. (...) A subjetividade capitalística, tal como é engendrada por operadores de qualquer natureza ou tamanho, está manufaturada de modo a premunir a existência contra toda intrusão de acontecimentos suscetíveis de atrapalhar e perturbar a opinião. Para esse tipo de subjetividade, toda singularidade deverá ou ser evitada, ou passar pelo crivo de aparelhos e quadros de referência especializados”.



Escrito por fabio oliveira às 10h55
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Continuação...

 

“(…) é cada vez menos legítimo que as retribuições financeiras de prestígio das atividades humanas socialmente reconhecidas sejam reguladas apenas por um mercado fundado no lucro. Outros sistemas de valor deveriam ser levados em conta (a “rentabilidade” social, estética, os valores de desejo etc) (…) Essa promoção de valores existenciais e de valores de desejo não se apresentará, sublinho, como uma alternativa global constituída de uma vez por todas. Ela resultará de um deslocamento generalizado dos atuais sistemas de valor e da aparição de novos pólos de valorização (…). O princípio particular da ecologia ambiental é o de que tudo é possível, tanto as piores catástrofes quanto as evoluções flexíveis. Cada vez mais, os equilíbrios naturais dependerão das intervenções humanas. Um tempo chegará que será necessário empreender imensos programas para regular as relações entre oxigênio, o ozônio e o gás carbônico na atmosfera terrestre (…).

 

Fazer emergir outros mundos diferentes daquele da pura informação abstrata; engendrar universos de referência e territórios existenciais. Onde a singularidade e a finitude sejam levadas em conta pela lógica multivalente das ecologias mentais e pelo princípio de Eros de grupo da ecologia social e afrontar o face-a-face vertiginoso com o Cosmos para submetê-lo a uma vida possível – tais são as vias embaralhadas da tripla visão ecológica.

 

Uma ecosofia de um tipo novo, ao mesmo tempo prática e especulativa, ético e política e estética, deve a meu ver substituir as antigas formas de engajamentos religioso, político, associativo ... Ela não será nem uma disciplina de recolhimento na interioridade, nem uma simples renovação das antigas formas de “militantismo”. Tratar-se-á antes de um movimento de múltiplas faces dando lugar a instâncias e dispositivos ao mesmo tempo analíticos e produtores de subjetividade. Subjetividade tanto individual quanto coletiva, transbordando por todos os lados as circunscrições individuais, “egoisadas”, enclausuradas em identificações, e abrindo-se em todas as direções: do lado do socius, mas também dos Phylum maquínicos,  do Universos de referência técnico-cietníficos, dos mundos estéticos, e ainda do lado de novas apreensões “pré pessoais” do tempo, do corpo, do sexo ... Subjetividade da ressingularização capaz de receber cara-a-cara o encontro com a finitude sob a forma do desejo, da dor, da morte ... Todo um rumor me diz que nada disso se dá por si mesmo! Por todos os lados impõem-se espécies de invólucros neurolépticos para evitar precisamente qualquer singularidade intrusiva. É preciso mais uma vez invocar a História! No mínimo pelo fato de que corremos o risco de não mais haver história humana se a  humanidade não reassumir a si mesma radicalmente. Por todos os meios possíveis, trata-se de conjurar o crescimento entrópico da subjetividade dominante. Ao invés de ficar perpetuamente ao sabor da eficácia falaciosa de “challenges”  econômicas. Trata-se de se reapropriar de Universos de valor no seio dos quais os processos de singularização poderão reencontrar consistência. Novas práticas sociais, novas práticas estéticas, novas práticas de si na relação com o outro, com o estrangeiro, como o estranho: todo um programa que parecerá bem distante das urgências do momento! E, no entanto, é exatamente na articulação: da subjetividade em estado nascente, do socius em estado mutante, do meio ambiente no ponto em que pode ser reinventado, que estará em jogo a saída das crises maiores de nossa época.

 

Concluindo, as três ecologias deveriam ser concebidas como sendo da alçada de uma disciplina comum ético-estética e, ao mesmo tempo, como distintas uma das outras do ponto de vista das práticas que as caracterizam. Seus registros são da alçada do que chamei heterogênese, isto é, processo contínuo de re-singularização. Os indivíduos devem se tornar a um só tempo solidários e cada vez mais diferentes. (O mesmo se passa com a re-singularização das escolas, das prefeituras, do urbanismo etc).

 

A subjetividade, através de chaves transversais, se instaura ao mesmo tempo no mundo do meio ambiente, dos grandes Agenciamentos sociais e institucionais e,simetricamente, no seio das paisagens e dos fantasmas que habitam as mais íntimas esferas do indivíduo. A reconquista de um grau de autonomia criativa num campo particular invoca outras reconquistas em outros campos. Assim, toda uma catálise da retomada de confiança da humanidade em si mesma está para ser forjada passo a passo e, às vezes, a partir dos meios mais minúsculos. Tal como esse ensaio que quereria, por pouco que fosse tolher a falta de graça e passividade ambiente”.

 

[1] Guattari, Félix. As três ecologias. Tradução de Maria Cristina Bittencourt.  3ª ed. Campinas: Papirus, 1991

 

[2] Nas Fábricas Fiat, por exemplo, a mão-de-obra assalariada passou de 140 000 para 60 000 operários numa década, enquanto a produtividade aumentava 75%.



Escrito por fabio oliveira às 10h54
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Lula quer 'exorcizar' idéia de Amazônia internacional, diz jornal

 

 

Em meio a críticas de ecologistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer "exorcizar" a possibilidade de que a Amazônia venha a ser internacionalizada, afirma uma reportagem publicada na página do jornal El País na Internet.

"Lula adverte ao mundo desenvolvido que 'a Amazônia tem dono'", titula o correspondente do jornal no Brasil, fazendo o que o diário espanhol qualificou de um duro discurso contra os que dão "lições de conservação".

A reportagem se refere às palavras do presidente na abertura do 2º Encontro dos Povos da Floresta, pronunciadas "com voz firme, em um discurso quase improvisado", nas palavras do repórter.

Segundo o jornal, Lula disse que há 8 mil anos o Brasil tinha 9% das florestas mundiais. Hoje, tem 29,5%, porque os países desenvolvidos derrubaram as suas.

Mas o El País lembra que a defesa que o presidente faz do seu projeto de desenvolvimento amazônico trouxe junto críticas.

"Lula foi criticado durante seu primeiro mandato por ecologistas brasileiros e internacionais, pelo que consideravam falta de sensibilidade diante dos problemas ambientais, e pela ausência de apoio à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva", diz o jornal.

"O presidente foi acusado de priorizar o desenvolvimento econômico, inclusive na Amazônia, por cima das exigências ecológicas. Por isto, em seu segundo mandato, tenta recuperar a credibilidade nesse tema, sensíveis à opinião pública."

O dilema, afirma a reportagem, é conseguir isso e ao mesmo tempo garantir a autonomia do país sobre o território amazônico.

"O Brasil sempre rejeitou o slogan de que ‘a Amazônia é de todos’, e chegou a temer mesmo que, sob o pretexto de não proteger seus bosques, os Estados Unidos possam chegar a pedir sua internacionalização como patrimônio da terra", diz o El País.

"Este é o demônio que Lula, com seu discurso fervoroso e taxativo, tentou exorcizar."

 



Escrito por fabio oliveira às 19h22
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A CATÁSTROFE DA SAÍDA

 

Cristovam Buarque é professor da Universidade de Brasília (UnB) e senador pelo PDT/DF.

 

A civilização contemporânea caminha para uma catástrofe, como já ocorreu com civilizações mais antigas. Mas desta vez, em escala planetária.

 

O aquecimento global é o risco mais visível. Mesmo que medidas sejam tomadas, nada aponta para a reversão da desarticulação climática e de suas conseqüências sobre a indústria, a agricultura, o nível do mar, o bem-estar individual, sem falar na extinção de milhares de espécies.

 

Ao risco da catástrofe climática soma-se a escassez de recursos, principalmente energéticos, que provocará o colapso de setores industriais. As alternativas energéticas trarão conseqüências igualmente catastróficas: usinas nucleares, mesmo com segurança rigorosa, terminarão por ameaçar o meio ambiente; o uso de biocombustíveis na escala necessária para atender às demandas do mercado causará desmatamento e reduzirá a produção de alimentos. Mesmo a mais limpa das energias, a hidrelétrica, cria lagos com impactos ecológicos negativos.

A migração é outro risco. Não só por causa da crise climática, mas também da desigualdade de oportunidades entre países. O fluxo internacional, essa transumância universal em busca de melhores opções de vida, provocará a decadência das cidades nos países do Sul, pelo esvaziamento, e a decadência das cidades nos países do Norte, pelo inchaço. O choque entre civilizações força um permanente quadro de guerra, de proporções internacionais.

 

A crescente disponibilidade de armas de destruição em massa fará o mundo cada vez menos seguro, provocando o risco de uma terceira catástrofe. Armas químicas e biológicas facilmente disponíveis serão usadas em guerras entre Estados, ou por grupos terroristas.

 

A economia global, sem controles estatais, trará uma vulnerabilidade crescente às economias nacionais, mantendo uma permanente instabilidade, até o dia da explosão dos trilhões da riqueza ilusória da bolha especulativa.

 

A convivência global e instantânea trará a probabilidade de epidemias que se espalharão de maneira mais rápida do que a possibilidade de enfrentá-las. A dependência de cada aldeia de bens e serviços vindos do exterior traz o risco de desarticulação no fornecimento dos produtos necessários ao funcionamento dos setores produtivos de cada cidade do planeta. A urbanização cria hordas deslocadas de seus ambientes, sem alternativas de sobrevivência salvo o crime, a mendicância, a informalidade, com sinais visíveis de desorganização total.

 

O individualismo e o tribalismo remanescentes em todo ser humano impedem a busca de soluções civilizatórias. A democracia nacional e de curto prazo impedirá medidas globais e de longo prazo que evitem a catástrofe. A lógica simples da mente humana não permite que ela capte toda a complexidade da realidade, em sua enorme velocidade de transformação. Com sua lógica divorciada da ética, o homem que constrói bombas não se recusará a utilizá-las contra inimigos nacionais.

A espécie humana parece fadada ao suicídio, se não biológico, ao menos civilizatório. A saída seria a pior das catástrofes: a parcela rica perceber que no mundo não cabem todos, e optar por uma ruptura no sentimento de semelhança entre seres humanos. E desenvolver a biotecnologia para induzir mudanças genéticas em benefício da parte rica da população, criando as bases éticas e filosóficas que justifiquem a exclusão e, a partir dela, a destruição da parte pobre da humanidade.

 

A catástrofe física e econômica seria evitada, mas ao custo da catástrofe ética: a catástrofe da saída.

 

("GAZETA DO POVO",  de 21 / 09 / 2007)

 

 

 



Escrito por fabio oliveira às 21h25
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          Roberto Crema

 

 

Quando eu falo em espiritualidade, não estou me referindo a nenhuma igreja, a nenhuma religião particular, embora respeite todas. Refiro-me à espiritualidade como o fazia Einstein, apontando para uma vivência cósmica; ou, ainda, outro físico contemporâneo, Fritjof Capra, que denominou seu penúltimo livro de Pertencendo ao Universo. Espiritualidade é uma consciência não-dual, uma consciência de participação, da parte no todo, que na essência é o amor, e na prática é solidariedade. Uma pessoa que despertou para essa dimensão espiritual é uma pessoa que não se vê separada do outro, da comunidade e do Universo. Eu pergunto: em sã consciência, você colocaria fogo no seu corpo? Se você sente-se não-separado do outro, você jogaria fogo em alguém que está dormindo num banco? E se você se sente não-separado da natureza, você iria empestá-la, destruir ecossistemas por uma neurose de progresso compulsivo, que foi decantada no século passado por Comte e que, agora, testemunhamos o lado sombrio dessa religião do progresso a qualquer custo, progresso a custa da hecatombe? Você empestaria a natureza se você se sentisse não-separado dela?

 

Sem sombra de dúvida. Nestes últimos séculos temos investido, de forma unilateral, no mundo da matéria, e os frutos são notáveis, sintetizados na tecnociência maravilhosa que dispomos. A grande tragédia, entretanto, é que não houve praticamente nenhum investimento significativo no mundo da subjetividade, da alma, da ética, da consciência, da essência. O resultado encontra-se nos noticiários tristes e apocalípticos de cada dia: escalada de violência e guerras infindáveis; a exclusão desumana de uma maioria, que morre de fome, por uma minoria, que morre de medo; extinção em massa de espécies; rota da colisão do ser humano com a natureza e todo tipo de aplicações tecnológicas irresponsáveis. O investimento maciço na alma é a única estratégia que poderá viabilizar a perpetuação, com qualidade e dignidade de nossa espécie. Antigas e esquecidas lições: para que serve ganhar o mundo inteiro se você perdeu a sua alma, se você se perdeu de si mesmo, se você se esqueceu do ser que lhe faz ser? Felizmente, crise é também oportunidade de aprender e de evoluir. Gosto de confiar que o ser humano será a maior descoberta do terceiro milênio!

 

Roberto Crema - Escritor e Vice-Reitor da Universidade Holística da Paz



Escrito por fabio oliveira às 19h02
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