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IRONIA A ECO-IDEOLOGIA

autor: Fábio Oliveira

 

Aqueles que consideram, ironicamente, a Eco-ideologia algo radical cometem grandes equívocos, com certeza nas idéias estamos sentados de costas um para o outro. Vou fazer alguns comentários sobre o tema tão polêmico.

 

Primeiramente gostaria de dizer que não vejo problemas em se trabalhar por causas elevadas (refiro-me as ONG’s sérias), tais como: a qualidade da vida na terra, preservação do meio ambiente e conscientização do caos que nos metemos, devido a um modelo de progresso cartesiano, reducionista, mecanicista, linear e equivocado, que tem sido imposto a humanidade pelo egoísmo de alguns.

 

São inumeráveis as ONG’s que realizam trabalho sério em diversas partes do mundo, mas também sei que existem desvios de conduta em alguns casos. Não defenderei jamais os espertalhões que entram nessa arena para se aproveitar da situação. Aliás, espertalhões existem em todas as áreas das atividades humanas.

 

No Brasil, não apenas algumas ONG’s vivem do dinheiro público, mas boa parte do empresariado brasileiro adora as tetas do governo. Quem mais se beneficia do governo brasileiro são os grandes empresários, ou seja, a nossa pseudo-elite.

 

Acredito que aqueles que combatem a eco-ideologia não saibam o que é progresso, na verdadeira concepção da palavra, ou talvez tenham as suas idéias condicionadas pelo sistema que agoniza.

 

Provavelmente, pensem que quem entende de ecologia são os responsáveis pela camada do ozônio, pela destruição da nossa mata atlântica, pelo aquecimento global, pelo desmatamento da nossa Amazônia, pelos poluidores dos lagos, rios e mares, pela destruição de nossas serras, dunas, falésias, mangues, e também pela criação de milhões de miseráveis espalhados por esse imenso Brasil.

 

O modelo adotado é destruidor, e em benefício de uns poucos (pseudo-benefício). O pior é que já destruímos tanto, e não solucionamos os problemas fundamentais da grande maioria do sofrido povo brasileiro.

 

A geração de empregos se faz com distribuição de renda, educação e cultura, jamais com depredação do meio ambiente. O Brasil é um dos campeões em concentração de renda no mundo, temos um dos piores sistemas educacionais do planeta, e a cultura que se propaga é a da boquinha da garrafa.

 

Podemos sim, gerar empregos com atividades mais dignas. Do jeito que está não é possível continuar, pois até a droga (cocaína, craque e etc.) está gerando emprego no Brasil. Hoje, a comercialização das drogas é um dos grandes negócios do país, embora caminhemos para uma situação aterrorizante, isto é, se as coisas não mudarem.

 

A depredação do meio ambiente também é uma droga, e deve ser combatida com determinação e a força da Lei, pois envolve a redução drástica da qualidade de vida, da consciência, da espiritualidade, de grandes valores éticos e morais.

 

Alguém escreveu:

 

“O impacto é uma decorrência lógica do processo civilizatório, já que não é possível avançar, criando empregos, distribuindo rendas, erradicando pobreza, sem o mínimo de dano. Resta saber em que medida e limites esse pode ocorrer. A agenda positiva do Brasil passa por esse questionamento”. 

 

O que está errado é o modelo de desenvolvimento que adotamos, os paradigmas de progresso, e a visão equivocada daqueles que não medem esforços que ganhar algum dinheirinho a mais a qualquer custo.

 

Caso tenha que fazer a opção entre a ‘visão romântica a todo custo’ que alguns, ironicamente, apregoam e a ‘destruição que se verifica a todo custo’, fico com a primeira por ser mais inteligente, mais bela, sensata e nos engrandece. Embora acredite que chegaremos a uma solução satisfatória, com grandes traumas talvez, pois não temos outra saída!

 

Com certeza, muitos dos irônicos não devem conhecer o pensamento de grandes cientistas, tais como James Lovelock, Edgar Morin, Humberto Muturana, Felix Guattari, Francisco Varela e outros, caso contrário, não diriam que a eco-ideologia é uma deformação da ciência. O que é deformação? É a ação que destrói o que é belo por um conceito errôneo de desenvolvimento, isso sim, é deformação, ignorância e ilusão.

 

Não generalizo e não considero que todos os empresários sejam criminosos, mas aqueles que destroem o meio ambiente são ignorantes, pois não têm consciência do que estão fazendo. Só pensam nos lucros, não pensam na ‘VIDA EM SUA PLENITUDE ’, perderam a referência de ideais elevados.

 

Precisamos de um novo modelo de desenvolvimento que não destrua o que é realmente belo, e que haja mais divisão de riquezas. De que adiantou tanta destruição se a grande maioria da população vive na miséria absoluta. Que modelo é esse que tem a sua história fundamentada na destruição, no desmatamento, na poluição em nome do progresso, e não apresenta resultados satisfatórios.

 

 

Continua...



Escrito por fabio oliveira às 10h34
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Continuação

  

Alguém escreveu novamente:

 

“Porém, não pode ocorrer a deformação operacional do princípio da precaução, porque, dessa forma, a sociedade ficaria condenada à paralisia e os empresários, em grande medida, transformados em "criminosos" ou "infratores".

 

A sociedade brasileira está paralítica desde os tempos da colonização. Não é por acaso que a violência se instalou em todo o país, não é por acaso que os ricos estão cada vez mais ricos, e a miséria aumenta de forma assustadora. Precisamos de empresários sérios e que produzam para a nação, mas também precisamos de um povo educado, saudável e esclarecido, e não marginalizado. Não foi nada disso que construímos ao longo da história do nosso país.

 

As Leis brasileiras não são tão ruins, e existem até em demasia. Porém , o cumprimento é lastimável e a impunidade prevalece. Em geral, não temos punições para os criminosos de colarinho branco, embora a Lei determine. Punição só para os criminosos fabricados e fragilizados pelo sistema que escraviza.

 

Os estudos de Impacto Ambiental nem sempre são analisados dentro das Normas Técnicas e da Lei, mas são aprovados através do tráfico de influência e outras negociatas imorais, tão comuns nesse país desacreditado. Quem não conhece o caso do Hotel em São Paulo , em frente a pista de decolagem do Aeroporto de Congonhas? Quem aprovou tamanha insanidade? Por que só agora resolveram comentar tal aberração?

 

Existem milhares de projetos nesse imenso país, que são aprovados ilicitamente, contrariando as mais rudimentares determinações das Normas Técnicas. Entretanto, são respaldados pelas contradições da interpretação das Leis, tão bem aceitas no Brasil.

 

A verdade é que o modelo fracassou e está perdido nas suas próprias contradições!

 



Escrito por fabio oliveira às 10h30
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